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Los Hermanos e o caminho menos óbvio

Eu gosto de gente que escolhe a trilha menos óbvia. Talvez porque eu mesma tenha escolhido em diversos momentos, mesmo que inconscientemente, ter que rodear um caminho enorme de vida só para não ir pelo lugar mais seguro. Tanta gente acha que perdi tempo, mas jamais poderão conhecer tudo que conheci pelo caminho. Já recusei emprego “seguro” para não me ver confortavelmente estática. Já quebrei tantos paradigmas que já sou a 50ª nova mulher desde que nasci, embora minha cara seja a mesma, os cabelos cacheados como sempre. E viva os cachos.

 

Marcelo Camelo tinha um caminho muito fácil e conveniente quando se lançou como cantor a frente do Los Hermanos. Compôs um hit que foi cantado em uníssono nos shows de rock e nas micaretas Brasil a fora. Todo mundo já cantarolou Ana Júlia numa festa, ouvindo a música que tocava dentro do ônibus. Todos que conheceram uma Ana Julia já fizeram piadas sem graça e cantaram para as coitadas a tal música.

 

Rapazes graciosos, recém saídos das faculdades de comunicação, bonitinhos, embora não muito óbvios. Tocaram em todos os programas de tv e foram elogiados por um dos Beatles. George Harisson até gravou sua própria versão da música. Mais fácil era seguir na trilha do sucesso daquela canção, fazerem mais umas dez Anas Júlias, tirarem a barba e aparecerem lindos em mais uma apresentação de VMB.

 

Mas não foi isso que Marcelo e sua trupe quiseram. Deixaram a barba crescer, já não topavam ir ao lugares para só tocar Ana Júlia. Experimentaram novas melodias, se descobriram bons compositores, Fizeram um disco diferente do primeiro. E muita gente não entendeu nada. Já não eram figuras fáceis nos programas de auditório de domingo.

 

Certo dia depois de alguns cds e milhares de seguidores, acharam que era hora de dar um tempo para experimentar coisa novas. Fizeram um último cd lindo, com o registro ao vivo de canções incríveis. Esse aqui ó: Los Hermanos ao vivo na Fundição Progresso. Mais uma vez fugiram do caminho seguro e óbvio. Marcelo lançou um cd novo, chamado Sou. Fugindo do caminho mais fácil pela milésima vez, Marcelo colocou seu cd novo para download gratuito na internet. Você pode baixar o cd aqui.

 

Não sou uma fã ardorosa de Los Hermanos, como dessas que nos shows cantam com guarda chuva na mão. Gosto bastante das canções e vez ou outra cantamos em coro no carro de minha amiga Elaine. Mas mesmo que você não goste de Os Irmãos você tem que bater palma para quem se arrisca.

 

Música nova do Camelo:

 

Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não
Eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares
Vou sonhando em outros ares, vou
Fingindo ser o que eu já sou
Fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar eu vou
É Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro

De que vale ser aqui
De que vale ser aqui
Onde a vida é de sonhar?
Liberdade

 

 

C. 

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Radiohead fez e ainda faz pensar

A primeira vez que ouvi o Radiohead foi vendo um clipe na MTV. Thom Yorke, vocalista da banda, estava com a cabeça dentro de uma espécie de aquário de vidro que aos poucos ia se enchendo de água. Era angustiante vê-lo morrendo sem ar naquele clipe. A música era No surprises.  Para acompanhar a  melancolia da letra e melodia, Thom Yorke queria mostrar desespero no vídeo representando o desespero da vida no nosso tempo, a desilusão, a falta de esperança; e conseguiu.

 

Um tempo depois descobri que No suprises era uma canção que fazia parte de um cd considerado histórico no mundo do rock, o OK Computer. Esse cd foi lançado em 1997 e foi aclamado pela crítica, tanto que está na lista dos discos mais infleuntes da década de 90. Sua temática e sonoridade são considerados a síntese perfeita do mundo em que vivemos hoje, dessa loucura pós moderna. Me dei conta então da força que tinha o Radiohead.

 

Escuto Radiohead de vez em quando, não sou fã, mas gosto. Ano passado o Radiohead decidiu colocar seu álbum novo para download na internet. Cada um poderia pagar o quanto quisesse pelas faixas, ou não pagar nada. A partir disso o mundo todo começou o uma discussão sobre o que e quem determina o valor da obra de arte e os caminhos possíveis para o mercado fonográfico hoje. Radiohead fez e ainda faz pensar.

 

Essa semana assistia a MTV. O canal já não me agrada tanto quanto antes, o foco deles está nos adolescentes e isso eu já não sou há algum tempo. Mas eu respiro música e música e informação sobre música a gente sempre tem por lá. O Radiohead estreava um clipe novo que me fez chorar, o All I need. Trata da exploração infantil e expande nossa cosmovisão. Novamente o Radiohead com sua música, nos faz pensar. Vejam ai.

C.

 


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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