Posts Tagged 'R&B'

E quem vai ousar deter a música livre?

Eu vou te contar, a herança genética explica muita coisa. Segundo relatos da minha mãe, meu avô (que não conheci) era meio cafuso (mistura de índio e negro) e por isso eu me considero negra ainda. Embora isso não esteja claro na cor da minha pele, está no meu DNA, no sangue que corre aqui dentro.  E deve ser por isso que eu sinto uma identificação tamanha ao escutar blues, soul e r&b das antigas. Música de negros. Música da alma. Music from soul. Não tem pra onde correr. Toda a produção decente musical do século XX tem sua origem nos negros. Segregados numa América que se denominava livre, os negros faziam os brancos se renderem à sua música.

 

O problema é que aqui no Brasil sempre deram ao jazz e ao soul o status de música de rico. Sendo que nos EUA não tinha nada mais popular. No começo da industria fonográfica poucos brasileiros detinham o poder de compra e de acesso a esse tipo de musica. Diplomatas brasileiros que viajavam à América e traziam um LP de jazz para o Brasil e só tinha acesso ao disco alguns amigos. Colocavam o disco pra girar em reuniões exclusivíssimas. E o LP, sinal de status, era passada de pai pra filho. E era difícil a grande massa ter acesso a toda essa produção gringa. Tempos sem internet.

 

Só que o mundo gira, o tempo passa e ninguém contava com a revolução do mp3 e a possibilidade de troca de arquivos com pessoas do mundo todo. Não existe mais disco raro. Está tudo ai pra quem quiser ouvir. Acabaram as oligarquias que detinham a produção cultural. Música livre para todos. Pra você colocar o material da sua banda nova pra galera ouvir e não precisar gravar cd pra fazer sucesso. Oportunidade pra você conhecer um monte de gênio da música e fazer suas próprias avaliações, música velha, música nova, clássicos, música ruim, música boa, música brasileira, música do outro lado do mundo. Gente que você não cresceu ouvindo, mais que agora você pode se dar o prazer de conhecer.  

 

E foi assim nesse mundo de música livre que meu coração bateu mais forte ouvindo Jonh Coltrane, Steve Wonder, Marvin Gave, Ruben Studdard, Wilson Simonal, Dinah Washington (não por um acaso todos negros). Não cresci ouvindo nada disso, mas agora tenho acesso a tudo e ainda estou no começo da jornada  das  milhões de coisas que quero descobrir e ouvir, reprovar ou me apaixonar.

 

Tem um monte de artista que vou à caça já munida de pré informação sobre eles e outras coisas vou atrás depois de escutar uma fração de segundo de acordes e a música bate aqui no peito como furação. Identificação e isso não se explica.

 

amorasegunda1

 Exemplo: Estava ontem vendo um filmezinho que gosto bastante que é o Amor à segunda vista (Two Weeks Notice). Comédia romântica nada demais, mas que tem uns diálogos ótimos. E tem Hugh Grant que leva um pouquinho de humor inglês para o filme (Adoro o humor inglês). Em uma determinada cena a personagem de Sandra Bullock uma advogada que é tratada como babá pelo patrão (Hugh Grant), decide dar uma virada e por volta de uns cinco segundos toca uma canção dessas que  eu não preciso escutar mais  pra saber que gosto. Passei a noite toda aqui tentando descobrir que canção era. Descobri. É Aretha Franklin, (ta explicado) genial cantando Respect. E o pior é que tinha a tal música aqui no computador numa coletânea da Aretha que baixei há um tempo mas não tinha escutado por completo. Recomendo o filme e a Aretha. Porém recomendo a Aretha muito mais que o filme:

 

 

Se joga nesse mundo de música e informação e descobre qual é a sua praia,

C.

Vesti azul, minha sorte então mudou…

Hoje me vi cantorlando essa música antiguinha que gosto pra caramba. Simonal foi um cantor incrível, um dos precursores do R&B brasileiro, mas infelizmente sofreu com a acusação (que ele negou até a morte) de ser informante do DOPS na época da ditadura. Excluído do meio artístico, Simonal morreu deprimido carregando a fama de traidor. E é por isso que tanta gente jovem hoje não conhece nada dele. Pena.

Vesti azuuuuuuuulllll, minha sorte então mudou

C.

Boa música para bons ouvidos

A internet tem dessas coisas. Hoje em dia se escuto qualquer trecho de canção na rua e gosto, jogo no Lime Wire ou no Emule e em cinco minutos to com a canção no meu mp3. Tempos modernos. Tempos democráticos.

 

Dia desses via um vídeo de uma matéria de beleza da revista Marie Claire. De fundo tocava uma música gostosa, uma voz potente. Fui descobrir quem era. Trata-se de Índia Arie, cantora americana de soul/ r&b que é pouco conhecida no país. Baixei os cd’s dela e são simplesmente incríveis, desses que a gente não pára de ouvir e acha que ta escutando o disco mais incrível de todos os tempos da última semana. As letras são lindas falam de relacionamento, vida, Deus. Recomendo demais. Ta ai pra vocês baixarem:

 

Acoustic Soul

Voyage to India

Testimony Vol. 1 Life e Relationship

Amostrinha…

C.

Amy Winehouse paga mico no Rock in Rio Lisboa

 

Amy Winehouse fez seu primeiro show público de 2008 no último sábado, 31 de maio, no palco do Rock in Rio Lisboa. A cantora, uma das principais atrações da noite, decepcionou a multidão de cerca de 90 mil pessoas: além de estar rouca, Winehouse se atrasou e, para completar, ainda caiu no palco.
Wino chegou à capital de Portugal apenas meia-hora antes do horário marcado para o show (22h, no país). A apresentação começou 40 minutos depois; Wino, que cambaleou em diversos momentos, estava com a voz fraca, que lembrava de longe a intérprete dos sucessos do álbum Back to Black.


Winehouse se desculpou, em cima do palco: “Eu devia ter cancelado. Não estou cantando direito, mal consigo segurar o microfone. Mas eu queria tanto vir…”.

 

Quem escuta o cd Back to Black e vê um vídeo como esse do Rock in Rio Lisboa se pergunta onde foi parar a artista que encantou  o mundo ano passado com um cd original e uma voz que parecia a de uma negona americana de blues. Dá dó ver o estado da Winehouse. Dá dó ver o que a droga e a falta de controle podem fazer com o talento de um artista.


“Eles tentaram me levar pra reabilitação e eu disse: não, não, não”.. Esse é o refrão da música Rehab, o hit da Amy. E pensar que quando eu ouvi isso a primeira vez eu pensei que era pura piada.


Pelo bem da música, pelo bem de Amy,para que tenhamos ainda muito mais dessa artista talentosa, alguém leve essa moça pra reabilitação já, nem que seja na camisa de força. É triste demais vê-la definhar em palcos gigantescos de festivais de música, sendo notícia nas colunas de fofoca  e cada vez menos nas de música.


Pra Rehab já, Winehouse!


C.

 


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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