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“Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça”

Devo confessar que por vezes a prática do cristianismo me deixa excessivamente cansada. Sei que é preciso ter disciplina nas práticas espirituais e que em todo tempo precisamos estar vigilantes, atentos às ciladas que se apresentam diante de nós, o cuidado com o que sai da nossa boca, o zelo com os que estão ao nosso redor, o discernimento sobre que direção de vida tomar. Sei que nada disso é feito através do nosso esforço e que somos dependentes da graça em cada uma dessas questões, mas por vezes todo o cuidado que o reino nos pede me deixa exausta. Soma-se isso a correria do mundo moderno, a demanda de coisas a fazer e um bocado de informações para processar, a expectativa das pessoas a nosso respeito. E sei que fico vulnerável quando tudo isso se junta.

Esses dias em que tenho me sentido assim uma passagem das escrituras veio como uma flecha em meu coração. É uma conversa de Jesus com Pedro. Antes de ser crucificado, Jesus declara a Pedro que antes mesmo que ele (Pedro) se dê conta, estarão em seus lábios palavras de traição. E Jesus deixa escapar o que aquele momento emblemático representa. Ele diz: “Simão, Simão, Satanás pediu vocês para peneirá-los como trigo..”

Dia desses li que os grãos de trigo passam por um período de 12 a 14 horas de molho até que toda a casca se desprenda ficando somente o grão puro. Começa então o processo de moagem e conseqüentemente a peneiração. Cada vez que os grãos são submetidos a um cilindro para moagem, em seguida sobem para um tipo de peneira diferente, descendo para outro cilindro, e assim sucessivamente, até passarem por cinco moagens e finalmente sair a farinha. Processo difícil e demorado. Fica bem claro que o processo em que Satanás deseja colocar Pedro é esmagador. E Satanás só poderá fazê-lo com autorização do próprio Jesus, por isso ele pede autorização ao Mestre para fazê-lo.

O que mais me consola nessa situação é que a resposta de Jesus em relação a essa situação poderia ter sido: “Portanto, Pedro, vigie” ou “Ore e jejue, pois ele está à espreita”, mas ao olhar nos olhos do homem de temperamento difícil, Jesus não lhe lança mais uma das cobranças “espirituais”, mas ele demonstra compaixão e identificação. “Ele quer peneirá-lo, mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc. 22:32)

É relembrando passagens como essa que trago à memória que o caráter de Jesus nada tem a ver com o que nos acostumamos chamar de “evangelho” hoje. Jesus não nos sobrecarrega, não nos pressiona ainda mais ele só diz: “Respeito como se sente e sei que pode estar tudo bem difícil, mas eu tenho orado por você para que não retroceda e para que sua fé não se desfaleça”. Essa é a diferença do Jesus verdadeiro e do Jesus equivocado que é anunciado por tantos, um Jesus que não aceita fraquezas e que nos pede bem mais do que podemos dar. Jesus sabe bem a hora em que deve tomar nosso fardo e nos dar o dele, um fardo leve.

Saber que o zelo de Deus por mim não passa por cobranças (somente) e que muitas das quedas que não caí só foram evitadas por causa da oração do Salvador, me traz alívio. E que quando não contar com a oração de mais ninguém, certamente contarei com Sua oração para que minha fé não desfaleça.
C.

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A razão da esperança

Dia desses me peguei com um texto conhecido rondando minha mente. Tratava-se de uma palavra dita pelo Apóstolo Pedro em uma das suas cartas. “Estejam sempre prontos a responder a qualquer um que questione a razão da esperança que há em vós”, ele fala em I Pe.3:15. Passei mais um bocado de dias refletinndo sobre isso, sobre ter na ponta da língua a razão da esperança que há em mim.

Como sempre faço com as frases que me chamam a atenção durante a semana, coloquei a frase dita há séculos no msn. Surpresa,vi uma das janelas de conversação piscar. E a pergunta era: “Porque há motivos para ter esperança se caminhos para a morte?”

Quem questionava era um colega de trabalho, jornalista. Homem inteligente, mas que me parece atormentado por uma depressão quieta. Embora veja um sorriso no seu rosto, me deparo sempre com uma melancolia no olhar que nunca tem fim. Era hora de falar sobre a esperança que há em mim e assim o fiz, não de maneira religiosa ou com jargões evangeliquês que assustam, mas falei que só  existe motivos para ter esperança através da fé, do amor de um Deus poderoso e no poder de um Deus amoroso.

Talvez as palavras de Pedro ressoem ainda com mais força no nosso tempo. O niilismo, a caminhada sem direção, a falta de propósito na nossa era mais moderna é ainda mais acentuada. A solidão é a companhia de tantos, o ritmo da vida voltada para o trabalho e para o ter, ter e mais ter acentuam ainda mais o vazio do coração do homem e esse sim nunca muda, o vazio é o mesmo que estava no coração de um Adão caído, se redescobrindo em suas próprias misérias, longe da glória do Criador.

Na mesma época, uma grande amiga, Louise me questionou: “Porque você está sempre feliz?”, como se querendo uma fórmula para ter sorriso no rosto. Achei interessante pensar que é assim que ela me vê. Porque essa postura nada tem a ver com otimismo ou com a ausência de motivos de tristeza. Me lembrei que o mesmo Jesus que disse: “No mundo vocês terão aflições” é o mesmo que disse “O vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar” e “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”

Em meio a dores e loucuras de um mundo turbulento, há motivos para ter esperança. O Deus em cuja mão estamos é amor e se isso não nos der esperança, o que mais dará?

C.


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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