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A ignorância é mesmo uma benção?

 

Não há nessa vida nada mais perturbador do que o conhecimento da  verdade. Porque apesar da verdade ser libertadora, ela traz consigo a dádiva da escolha e a necessidade de uma tomada de postura a partir do conhecimento da mesma. Ninguém pode ficar imune à verdade Seja  a verdade sobre o que cremos, o que somos e a verdade sobre o outro. A verdade que vem como um tapa na cara e faz toda dormência ir embora e a gente já não sabe se a revelação é mesmo melhor do que o tempo em críamos numa mentira, ou pior, quando acreditamos no verossímil.

 

Entendam porque a verossimilhança é pior que a mentira. A verossimilhança é uma mentira que brinca de verdade, que se assemelha ao verdadeiro pela força do persuasor, mas que passa longe de ser verdade. Explicarei com um exemplo simplório: É época de natal. Num outdoor você vê um comercial incrível daqueles de Peru da Sadia. A sua boca se enche de água. Suculento, brilhoso… Ao ver a foto não lhe ocorre que aquilo que você vê é uma mentira, porque você sabe bem que por mais que você seja o melhor cozinheiro do pedaço, o peru vai ficar daquele jeito na sua casa e de que ele é bem menor e sem graça do que o apresentado pela mentes mirabolantes dos publicitários. Apesar de sabermos que aquilo é um comercial, cheio de recursos digitais, photoshopeado, como dizemos; ainda assim ao olharmos a fotomontagem ficaremos convencidos da qualidade do peru da Sadia.

 

A verossimilhança constitui a cena em verdade a partir da sua própria lógica, a partir do “bom argumento” daquele que tenta persuadir. E este, o persuasor, pode ter milhares de motivações ao saber que você realmente acredita na sua “verdade”. No caso da Sadia, o resultado é o departamento comercial comemorando o aumento nas vendas. E quando nós fazemos o outro crer numa mentira maquiada de verdade sobre nós? E quando somos nós as vítimas dessa postura? Líderes, crenças e o pior, relacionamentos construídos pelo engano sutil da verosimilhança. É por isso que a frase mais famosa do Matrix é “a ignorância é uma benção”.

 

Uma lição ensinada por Jesus é que aquele que conhece a verdade será livre. Jesus falava sobre si mesmo, sobre como só terá paz na mente perturbada aquele que tem um encontro com ele e partir desse encontro será livre para confrontar todo engodo servido diariamente, toda prisão interior. Mas creio que esse ensinamento é ainda mias abrangente. A verdade, em qualquer esfera da nossa vida, sempre será libertadora. E quanto mais cedo a conhecemos, melhor. E eu não trocaria um minuto (por mais perturbador que seja) dentro do  conhecimento da verdade  por  um dia  inteiro “feliz” na ignorância.

C.

 

Mais uma vez o Padre Fábio..

Ao falar de si mesmo e de sua linguagem, Jesus disse certa vez que suas palavras eram espírito e vida. O ideal seria que todo aquele que fale em nome dele também tivesse palavras em sua boca que fossem isso: espírito e vida. Mas a verdade que não é assim que funciona na prática. Ontem, conversava com Banso no Google Talk (Banso é o Elianderson, grande amigo e que por sinal fez esse visu novo do meu blog!). Liguei na Canção Nova para ver o programa do Padre Fábio de novo. Mas hoje, o programa não era no estúdio, era a reprodução de  uma pregação de fevereiro desse ano. Fomos acompanhando e comentando, eu e Banso, o que assistíamos. Para meu espanto, as palavras que ouvi eram espírito e vida. E de todos os lugares de onde Deus poderia trazer uma palavra que aquecesse meu coração entristecido, Deus escolheu o tal do Padre Fábio. Enquanto ele falava, espanto e consolo enchiam meu coração porque ele estava explicando com muita clareza e eloqüência processos pelo quais estou passando  e que na minha mente confusa são bem complexos. Elianderson espantando também tamanha a força daquela palavra e por ser um homem de batina, no meio de uma missa quem a proferia. Podiam-se ouvir as paredes da nossa religiosidade caindo por terra. Estou baixando ela aqui no Emule e em breve quero colocar aqui pra vocês também serem abençoados. Vou deixar uma parte dela escrita aqui…

 

Amor: processo de continuidade. É grande, eu sei, mas reserve 5 minutinhos da sua vida agitada para cuidar um pouquinho da alma. Vale a pena

 

“Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos.

Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.O que você entende por esta palavra ‘amor’?

É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’. O amor não se poetiza. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.

Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida, as que não damos valor, e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés no seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo? O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus de abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os ‘achismos’ do amor. Por muitas vezes, em nome do amor, nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.

O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.

Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.

Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.

Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho, a partir do momento em que você permite transmiti-lo, nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.

Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: Quanto mais nós amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’. Vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.

Você vai saber o que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.

Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.

Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?

Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo. O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar. Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida? O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele? As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você se dedica a Deus, dedica a você mesmo; pois a obra que Ele quer restaurada é você.

‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim. Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as ‘podridões’. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.

O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar. A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar, ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal. Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?

Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar. Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também. Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!”

 

 

Esse é o meu valor. Se você quiser entra a na minha vida, tire as sandálias, porque aqui é território santo. Não aceitarei nada menos que isso. Estou pensando nisso até agora,

C.

Vendendo terras ou cultivando tesouros?

Essa semana ouvi uma frase que mexeu muito comigo. “Em vez de vendermos terras, vamos cultivar tesouros nessa terra”. Essa frase foi dita dentro do contexto de quem em vez de ficarmos “oferecendo”  Jesus pras pessoas , implorando para que elas o aceitem, como vendedor em fim de feira, devemos sim através da nossa vida mostrar  a beleza do encontro com ele e o quanto ele é precioso pra nós e em nós. “Quando as pessoas souberem o valor desse tesouro, elas venderão tudo o que têm para comprar esse terreno. Não vamos precisar nos esforçar”.

 

C.

Uma igreja chamada Vertigo

Reproduzo abaixo um texto que achei fuçando os blogs da vida.. É longo, mas vale a pena ler!

C.

 

 “Hello, hello! I’m at a place called vertigo…” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso.

Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de comportamento. Enquanto isso, o “Você também” do U2 prefere incluir.

Não sei se a maioria quer enxergar o miolo da questão, se quer tocar a alma desses artistas. Aos que desejam isso, sugiro uma leitura atenta das músicas. O U2 fala, principalmente, da loucura da vida moderna, das nossas cidades, da ausência de sentido das guerras, das conquistas, dos fracassos. Num mundo vertiginoso, eles procuram algo que os faça “sentir” –é o que diz “Vertigo”. Mas é também o que diz “I still haven’t found what I’m looking for”, na qual Bono canta a sua busca por entender o sentido da condição humana.

As cidades sem nome, onde as luzes cegam, os arranjos eletrônicos que causam estranhamento… São esses os cenários desenhados pelo U2 em seu lamento pela tristeza do mundo, que vem desde o domingo sangrento de “Sunday Bloody Sunday”. A crítica musical muitas vezes o classifica como piegas. Porém a maneira como os irlandeses se colocam no hit parade, carregados de influências que vão dos Beatles aos punks Ramones, apresentando criações originalíssimas e baladas que marcam gerações, é surpreendente. Em todas as letras, há conceitos cristãos claros, e as bandeiras –como a coexistência pacífica das religiões, e não o ecumenismo— são as mais evangélicas que conheci.

Há canções específicas em que o Evangelho é declarado de forma explícita, porém os que não são cristãos não a compreendem dessa forma. Dos primeiros CDs da banda até o consagrado “War”, as referências à fé predominam. Em “Boy”, o trabalho de estréia do U2, Bono canta em “I Will Folow” (“Eu Seguirei”): “I was on the outside when you said/ You needed me/ I was looking at myself/ I was blind, I could not see. (Eu estava por fora quando você disse. Preciso de você. Eu estava observando a mim mesmo/ Eu estava cego, não podia ver)”. Entre “Boy” e “War”, está “October”, considerado um dos trabalhos mais cristãos da banda.

Além das declarações de fé do U2, o testemunho público de Bono confirma o que ele canta. O envolvimento do vocalista no Jubileu 2000, movimento que propõe o perdão da dívida externa dos países africanos, o forçou a atrasar em um ano o lançamento do novo CD. Há 25 anos casado com a mesma mulher, Bono fala com presidentes, discursa, prega em seus shows usando o palco como púlpito. Em qualquer oportunidade, ele está chamando atenção para a pobreza e a injustiça social.

Tudo isso pode parecer novidade para nós, brasileiros, mas para irlandeses e americanos, a confissão de fé dos roqueiros do U2 é praticamente domínio público. Este fato está sendo corrigido com o lançamento de “Walk On A Jornada Espiritual do U2”, tradução do livro de Steve Stockman (W4 Editora). Neste ensaio, vemos a compilação de milhares de entrevistas de Bono Vox ao longo dos anos e descobrimos que ele mesmo parou de tocar no assunto igreja para evitar maiores transtornos pessoais e na carreira da banda. Mas há muitas outras coisas interessantes a conferir no livro.

O passado do jovem vocalista em Dublin, o tempo de escola bíblica, é um dos capítulos interessantes. Entendemos o que era o movimento evangélico daquele lugar naqueles tempos. Era o auge da guerra entre católicos e protestantes e a igreja não estava encerrada entre as quatros paredes do templo, e sim nas trincheiras. As canções não eram apenas de louvor, mas também de protesto por tamanha incoerência de ambos os lados da batalha. Quem não se lembra da cena de Sinéad O’Connor, a cantora careca de “Nothing Compares 2 U”, queimando a fotografia do Papa?

O U2 é um produto da Igreja, mas não para consumo interno. Hoje, vejo em Bono inúmeras expressões do Evangelho, e dos valores que aprendemos aos domingos (ou que deveríamos estar aprendendo), vejo a tentativa frutífera de atingir para além do gueto que criamos, para além dos muros do templo. E isso, convenhamos, assusta a qualquer um. Ao mesmo tempo revela uma coragem que a maioria dos nossos músicos maravilhosos não tem. Aqui eu escrevo sem ironia: nós, cristãos, abastecemos o setor fonográfico há anos, com músicos que, fora da igreja, ajudam a embalar multidões com boa música cantada por não-cristãos, enquanto dentro produzem canções muitas vezes repetitivas e sem criatividade, sem força para ir além do muitas vezes mesquinho e vazio mercado evangélico.

Não conheço Bono o suficiente para saber se ele é um exemplo a ser seguido, mas não posso ignorar a verdade de suas bandeiras. Quando assisto a um megashow como o que ele fez em São Paulo, considerado por muitos o maior show de rock da história do Brasil, não posso deixar de me sentir desafiado e de me identificar com a proposta desses malucos irlandeses. Como político, sempre rejeitei o gueto. Sempre me recusei a, como vereador, me restringir a ser um despachante de igreja, a viver de favores, fechado num mundinho autodenominado cristão.

Nunca entendi que Jesus pregava a salvação para aqueles que fossem “bonzinhos”. Entendi que o céu era para aqueles que acolhessem o estrangeiro, para os que desse água ao sedento, comida ao faminto. Talvez seja essa a pergunta perseguida por Bono: o que é a salvação? A julgar por algumas letras e discursos da banda, a salvação é sinônimo de humanização. A partir do momento em que nos tornamos mais humanos, mais parecidos com Jesus nos tornamos. E, acima de tudo, a salvação é para todos, não apenas para um grupo de iniciados.

Para concluir, o U2 nos ensina que o projeto de expressar os valores da Igreja para o além-muro pode dar certo, seja em canções, seja em políticas públicas. Não sei se poderia considerar heresia ouvir uma multidão como a que lotou o Morumbi cantando os versos de “40”, composição do CD “War”, na qual Bono é explícito em sua fé. Na música, ele diz: “You set my feet upon a rock. And made my footsteps firm. Many will see, many will see and hear (Você pôs meus pés sobre a rocha. E firmou os meus passos. Muitos verão, muitos verão, e ouvirão)”. Posso dar o testemunho de quem viu isso ao vivo, como eu. É emocionante. Ouvir o nome do Senhor exaltado dessa forma é de arrepiar.

Por Carlos Alberto Bezerra Jr
 

 


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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