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Aprendendo com a Venezuela

Você certamente nunca deve ter ouvido falar em Gustavo Dudamel, mas ele é é um astro da música erudita, muito conhecido ao redor do mundo.Aos 26 anos, o jovem maestro tem chamado atenção de músicos e críticos com seu jeito diferenciado de reger, cheio de intensidade e paixão. O interessante na história de Dudamel é que ele é um músico formado pelo “O Sistema” , ou  “Sistema Nacional de Orquestras Juvenilis e Infantiles de Venezuela”, um sistema de ensino, organização, participação, integração, criação e execução musical que tem transformado a história de crianças e jovens da Venezuela

O programa reúne mais de 300 mil músicos infantis e juvenis que atualmente estão integrados a 290 orquestras e coros distribuídos em toda Venezuela. Esse programa tem sido elogiado no mundo inteiro pela maneira como usa a música para transformar a realidade dessas crianças. O Gustavo Dudamel de quem falei no começo, era mais uma criança pobre da Venezuela ao começar a participar do Sistema e se apaixonar pela música. Ainda criança ele já era um dos melhores violinistas do programa e aos 12 anos começou como maestro. Durante muito tempo ele foi o regente da Orquestra Juvenil da Venezuela que reúne os melhores músicos das orquestras do programa. Encantados diante do talento de Dudamel, críticos e músicos eruditos tem exaltado o talento do maestro.Ele passou então a ser convidado para reger as principias orquestras do mundo. Esse ano ele foi convidado pela Orquestra Filarmônica de Los Angeles para ser seu novo regente e começa a implantar nos EUA o mesmo modelo do Sistema, dessa vez com crianças em situação de risco na América.

 

A história impressionante de como a Venezuela ( que só aparece nas manchetes por causa das questões ligadas ao presidente Chavez) criou um programa transformador que tem sido copiado no mundo inteiro virou um documentário que faz arrepiar até quem não gosta de música erudita. O Documentário é o “Tocar y luchar” e pode ser visto na íntegra no You Tube (Viva o you tube!).   Simon Rattle diretor principal da Orquestra Filarmônica de Berlim afirma no documentário: “É uma orquestra de um brilhantismo impressionante. Derramei lágrimas de emoção. É uma orquestra que toca desde algum lugar muito profundo

Um trechinho dele você pode ver aqui. E que o Brasil aprenda essa lição com a Venezuela.

 

 

O poder transformador da arte!

C.

 

Você tem fome de que?

 

Bebida é água.
comida é pasto.
você tem sede de que?
você tem fome de que?
a gente não quer só comida
a gente quer comida, diversão e arte.
a gente não quer só comida,
a gente quer saída para qualquer parte.
a gente não quer só comida,
a gente quer bebida, diversão, balé.
a gente não quer só comida,
a gente quer a vida como a vida quer.

 

Fui criança na década de 80 e no início dos anos 90. Cresci ouvindo todas aquelas canções que hoje são cantadas em festinhas com temática dos anos 80. De Balão Mágico a Léo Jaime. De Ritchie a Xuxa. Cresci numa época em que musica era diversão. Já não se fazia canções políticas e cm letras contundentes  como as de Chico e Caetano na década de 60 e 70, por isso muitos consideram a década de 80 a mais improdutiva e menos criativa de todas. Mas nessa época também começou a  grande virada do rock nacional com bandas como o Barão Vermelho, o Legião Urbana, e os Titãs. Era bem criança, mas me lembro do Arnaldo Antunes, ainda nos Titãs, cantando a música Comida, no programa Globo de Ouro, na Rede Globo. Cabelos pretos espetados, um olhar mórbido, uma voz grave. Esse era o máximo de contato que poderia ter com o rock: através da televisão. Apesar da minha mãe ser uma cristã fervorosa e apreciadora de música, o máximo de rock que tinha lá em casa eram as fitas de rock do Queen do meu pai. Mas me lembro bem de cantarolar Comida quando criança: “Você tem sede de que? Você tem fome de que?”

Foi só depois de algum tempo, anos depois, que entendi o que significavam essas perguntas. Existe uma fome em nós que é a  necessidade de expressar-se e de consumir a expressão do outro. Porque sem arte a vida não tem sentido. Sem música, sem beleza, sem novela, sem teatro, sem circo, sem poesia, sem flor desabrochando, sem pôr do sol.. Que vazio seria!

 Durante muito tempo como cristã, condenei qualquer forma de arte que não tivesse como destino final, o Criador e seus atributos. Mas quando escutei acordes de um conterrâneo, Djavan, que chegavam aos meus ouvidos com uma doçura sem fim, me veio a iluminação: Nenhum talento vem de nenhuma outra fonte senão a do próprio Deus. Mesmo quando não pensam em louvar, eles louvam. Descobri que Deus é artista, é compositor, o designer mais rebuscado, o cineasta de histórias maravilhosas, a divindade que ama a poesia e e encheu seu livro com um bocado delas. Deus é arte e por isso a gente se emociona ao ver um filme bonito, chora ouvindo uma musica, se espanta com o absurdo da beleza da Praia do Gunga. Basta abrir os olhos e se deparar com sua exposição permanente.

 O Evangelho consiste em deixar pra trás um montante de coisas. Vamos ter que sacrificar por amor a Ele um bocado delas, mas se tem uma coisa que ele nunca vai pedir para que deixemos pra trás, será a beleza da arte . Da arte do outro e da arte em nós, da nossa própria expressão, do nosso olhar diante do mundo. Que nos levem tudo, mas que não nos roubem a capacidade de nos  expressarmos e de suspirar ou até mesmo de contestar a arte e seus caminhos. Isto está no nosso DNA e não tem como fugir. Continuamos famintos de comida (para o corpo e para o espírito) de diversão e arte.

C.


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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