.sobre as pequenas dores

Existem dores na alma que podem ser até sentidas no corpo. Sobre os ombros, essas dores podem pesar toneladas e dilacerarem lugares na nossa vida que sequer conhecíamos.  O vestir a alma de preto pra viver e morrer o luto. Chorar a perda. O golpe da traição ou a  angústia de vermos a face da dor nos olhos de quem amamos. As crises que podem chegar como visitas mal educadas: não ligam antes pra dizer que estão a caminho. Essas dores machucam, são grandiosas, imponentes, no entanto um dia vão embora. Não há luto que não se finde. O jogo muda, a vida muda, os tempos mudam.

Porém há dores que não saem da bagagem tão facilmente. Essas, inoportunas, podem perdurar por dias, semanas, anos. São as pequenas dores. E pra estas, o remédio não é achado facilmente. São pílulas dolorosas, contínuas, persistentes e silenciosas. São difíceis de explicar e de serem enxergadas de fora. Entre um momento de alívio e outro, elas reaparecem. Senhoras de si, podem nos tirar um pouco da razão e da clareza. Não que possamos usá-las pra justificar nossos atos, mas só quem está doente sabe o tamanho da dor que sente. Em um ano difícil (mas precisamente em 2006), aprendi da vida que não se deve desprezar a dor. Nem a do outro, que dirá a nossa. Mesmo a “dorzinha”, não é coisa boba.

Certa vez ouvi da neurologista Rossana Silvestre numa consulta médica que viver com dor não é normal. A medicina, disse ela, tem trabalhado e pesquisado para desenvolver tratamento eficaz para aqueles que sofrem de enxaquecas, as dores inoportunas e constantes. “Não fomos feitos pra viver com uma dor que não cessa, por menor que ela seja”, proclamou. Muito bem. Mas pergunto a mim mesma: quem vai  desenvolver o  remédio para nossas pequenas angústias que não arredam o pé?

C.

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