Quando o pop perde o seu rei

ooDaqui a 20 anos  meus filhos certamente ouvirão as canções de Michael Jackson e me questionarão: – Mãe, ele era isso tudo mesmo que falam?

E não terei outra resposta senão dizer: –  Ele era isso e muito mais.

Não vivemos nas mesmas épocas que muitos dos nossos artistas favoritos viveram. Mas eu posso dizer que nasci no ano em que Michael lançava Thriller. Quando Michael lançou Black or White no Fantástico  eu tinha 10 anos recém completados. Quando Michael  já tinha virado um homem branco eu ja me entendia por gente. E agora quando Michael morre tão precocemente eu sou uma mulher adulta que ficou especialmente triste hoje.

Quem nasceu na década de 80 entende bem esse sentimento e não é preciso ser fã fervoroso de Michael pra compreender. É  que Michael é o grande artista da nossa geração que assistimos  partir.  Quando Lenon morreu eu era apenas uma idéia na mente dos meus pais recém casados.

Nós somos a geração que cresceu junto com a MTV  e que vivemos agora essa transição no mundo da música. Quando criança ouvíamos discos de vinil, quando adolescentes passamos a usar os cd’s e agora andamos com milhares de músicas no bolso em nossos mp3’s e ipod’s.

É  emblemático que Michael morra quando  a maneira como comcebemos o consumo de música também esteja morrendo.  Não se vendem mais a quatidade de discos como Michael um dia vendeu, escutamos música hoje de um jeito diferente, as gravadoras padecem enquanto artistas procuram meios alternativos para se manterem ativos, seja produzindo seus cds em estúdios caseiros ou disponibilizando gratuitamente suas obras na internet.

Certamente não encontraremos um equivalente a Michael que com cinco anos já causava espanto, justamente porque hoje talento nato é o que menos o pop pede. Na era dos artistas fabricados, que  precisam reiventar suas imagens a  cada disco, que não precisam cantar tão bem pra emplacar   e que sempre relacionam musica ao sexo , será dificil encontrar alguém com o pioneirismo, talento para compôr, cantar, dançar e produzir e ainda ter o carisma de Michael.

O pop nunca mais será o mesmo.

C.

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