Explicando a geração que dança

Acessei o blog hoje e li um comentário muito bom do Carlinhos Henrique sobre o texto que escrevi “Muito mais que a geração que dança”. Queria dizer que concordo com as colocações dele e que não quero ser mal interpretada sobre isso. Que fique claro que não sou contra  a geração que dança, mesmo porque estou envolvida com artes e com dança dentro da minha igreja desde os 15 anos. Ainda hoje trabalho como coreógrafa na igreja e é mesmo maravilhoso se deliciar  na presença de Deus usando os movimentos do meu corpo. O problema é que existe uma geração que só dança. Também nada tenho contra a canção ou o próprio David Quilan, ele como compositor usou o temo de forma poética. A atitude dessa geração e não a canção é que é o problema.

 

Também nada tenho contra shows cristãos, pelo contrário, sábado fui no show da banda de um amigo, o Juninho, da Unidos 4 e foi incrível, alegre, vivo e é maravilhoso ver os jovens fazendo música tão boa e até mesmo melhor do que grupos seculares! O problema é de quem tornou a fé um show, que tem hora pra começar e terminar e que por trás das cortinas age secretamente e erroneamente. Também amo  estar diante do Senhor num culto onde a atmosfera de adoração é latente, aquele ambiente leve onde quase se pode tocá-lo e passar  horas ali contemplando-o e tendo a mente renovada, vendo cadeias caírem. O problema é quando a adoração nada produz. Quando saímos do culto felizes por temos tido um encontro com ele, mas a essência desse encontro não tem continuidade e/ou não gera mudança prática. Contemplar o Senhor  é ser mexido, é ser constrangido de tal forma com seu amor, santidade e compaixão que não podemos (nem devemos) ser os mesmos depois disso. Mas infelizmente não é isso que acontece e a igreja fica entre quatro paredes se deliciando em Deus e não abre as portas nunca  mais pra dialogar com os que estão de fora. Sem falar que condicionamos a chamar adoração o período do culto em que abrimos nossos lábios para cantar, mas creio que  adoração vai tão além disso…

 

Sinto, pelo menos em minha vida, que o evangelho precisa ser equilibrado. Ele é contemplativo, mas acima de tudo prático. Aprendo com Jesus que  é preciso ter uma boa palavra para a alma faminta e  pão para o corpo faminto. Por isso lamento que toda atmosfera de adoração não desperte a igreja a acolher os homossexuais, a dialogar com ateus, a entender os emos, punks e góticos, a não se envergonhar ao caminhar com prostituas, a deixar emprego e vida confortável para ser um missionário se ele assim te chamar, a entender que o Reino de Deus está onde eu estou, dentro ou fora das igrejas.

 

 É  ilusório pensarmos que os que  estão de fora, todos os que não são cristãos, não têm percepção de  Deus ou interesse pelo sagrado. Tenho amigos não cristãos, principalmente jornalistas, que se interessam pelo tema, mas que têm um preconceito enorme com cristãos por terem dificuldade em estabelecer um diálogo  inteligente sem ser ofensivo  com qualquer um deles ( e não lhes culpo), por isso temo pelos jovens da geração que só dança porque ao só “contemplarem” o Senhor  e não colocarem os neurônios pra funcionar nem abrirem os olhos para ver bem além dos muros eclesiásticos  perderão oportunidades incríveis de cativar alguém com olhar mais aguçado. Vejo que é libertador para os meus amigos que possa conversar com eles sobre religião  com a mesma espontaneidade com que discutimos o disco novo do Radiohead. E porque converso com eles sobre Radiohead, por exemplo, tenho abertura para falar sobre Deus.

 

Deu pra entender?  Bom, é mais ou menos assim que penso, mas nada impede que eu mude de opinião daqui a pouco. Hehe.

 

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo,

C.

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1 Response to “Explicando a geração que dança”


  1. 1 carloshleonel 20 dezembro, 2008 às 3:00 pm

    Depois de tanto tempo é q eu vi esse post com a explicação…
    [desculpa de universitário: Final de período é complicado pra achar tempo de fazer alguma coisa q não seja estudar e estudar mais.=P]
    Bom, mas a explicação sobre essa geração aí…
    Somos mesmo assim, né, Ci?
    Concordamos num monte de coisas e em outras discordamos e graças a Deus por isso! =D
    E com esse texto, deu sim, de verdade, pra entender eu ponto de vista.
    Sobra a Igreja penso uma coisa: se a nossa adoração e os consequentes encontros com Deus não produziram mudanças em nós, não é q os encontros com o Criador foram falsos ou são dispensáveis, mas que nós mesmo brecamos a “onda” de transformação de Deus em nós.
    Pela minha experiência parece que Deus começa a mudança quando estamos ali num lugar espiritual somente com Ele e quando voltamos às atividades normais, às pessoas, aos relacionamentos Ele nos coloca à prova enquanto pede que continuemos a dar a abertura necessária à ação do seu Espírito em nós.
    E mais uma vez chego à conclusão a obra de Deus em nós depende de nós e não mais de Deus, não por esforço nosso, mas pela Graça Ele já preparou tudo previamente, tudo o q seria necessário: a morte de Seu prórpio Filho.

    Mas é isso…
    bom demais poder conversar contigo, Ci!!!

    Bjão, fica na Paz!

    P.S.: Saudades de conversar pessoalmente. 😉


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