Kaká: inspiração dentro e fora do campo

 

Qualquer torcedor do Milan ou mesmo do São Paulo já acostumou-se com a imagem: ele dribla, chuta e é gol. Logo erguem-se os indicadores aos céus. O gesto de Kaká é sempre o mesmo. Diante das câmeras de televisão e da multidão de fotógrafos dos veículos de imprensa esportiva Kaká agradece e dedica a Deus sua conquista. Gostem os jornalistas ou não. O torcedor, pasmo diante do talento de Kaká, agradece a Deus junto com ele. Agradece pelo gol e pelos pés de Kaká.

 

Dia desses li uma matéria que dizia que Kaká era o único brasileiro numa lista das pessoas mais influentes do mundo. Nunca envolvido em escândalos, o moço que toda mãe pediu como genro, modelo nas horas vagas de campanhas milionárias da Vercase. No campo e fora dele Kaká brilha, sem esquecer de dar o crédito ao responsável pelas suas vitórias. Em entrevistas, Kaká não esquece de dizer a razão da sua fé. No mundo do futebol, onde jogadores contam vangloriados suas esbórnias com mulheres e às vezes com travestis, Kaká não se envergonhou ao dizer que tinha escolhido casar-se virgem.

 

Hoje vi uma imagem de Kaká no trio elétrico na Marcha pra Jesus em São Paulo. Parei pra pensar sobre o quanto aquele rapaz que deve ter a minha idade tem os pés no chão. Lembrei-me do filme Carruagens de Fogo em que um corredor olímpico sente que ao correr louva ao seu Deus. Vejo que Kaká sente o mesmo. Ao driblar   troncudos zagueiros europeus e deixar multidões boquiabertas, Kaká entoa seu hino de louvor ao seu Deus. Foi criado com talento e entende que talento algum veio de outro lugar senão do céu, do próprio Deus. Fervoroso, Kaká poderia ter pensado em largar a carreira futebolística por não ser uma carreira “religiosa”, mas escolheu usar seu dom, ser sal num mundo insosso. Kaká entende o que muitos cristãos ainda não conseguiram entender diante de suas atividades e profissões: o reino de Deus está onde você está. Não existe profissão mais sagrada. Jogando Kaká prega, louva e dá testemunho, e talvez o faça melhor do que muitos pastores engravatados nos púlpitos das igrejas.

 

Ao olhar pra Kaká hoje também lembrei de Daniel da Bíblia. Diz a escritura que todos procuravam algum motivo para encurralar Daniel, alguma trapaça, por simples que fosse para acusá-lo e não encontravam. Kaká já tem dez anos de carreira e nesse tempo o máximo que conseguiram para acusá-lo foi o fato dele fazer parte da Igreja Renascer, envolvida em escândalos. A igreja pode até estar encrencada, mas Kaká não. Testemunho sólido, fé firmada sobre uma rocha inabalável, Kaká não perdeu-se nas glórias e seduções que estão à sua volta.

 

Certa vez o apóstolo Paulo disse que fomos feitos espetáculo diante dos homens, numa referência clara aos cristãos que eram entregues para serem mortos nas arenas romanas. Somos espetáculo hoje também, olhos atentos estão ao nosso redor observando cada passo. E quando o mundo pára para ver o espetáculo  Kaká, vê Deus dentro e fora do campo.

C.

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