.os silêncios

“Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos outra meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras.”

Chico em “Budapeste”

.sobre as pequenas dores

Existem dores na alma que podem ser até sentidas no corpo. Sobre os ombros, essas dores podem pesar toneladas e dilacerarem lugares na nossa vida que sequer conhecíamos.  O vestir a alma de preto pra viver e morrer o luto. Chorar a perda. O golpe da traição ou a  angústia de vermos a face da dor nos olhos de quem amamos. As crises que podem chegar como visitas mal educadas: não ligam antes pra dizer que estão a caminho. Essas dores machucam, são grandiosas, imponentes, no entanto um dia vão embora. Não há luto que não se finde. O jogo muda, a vida muda, os tempos mudam.

Porém há dores que não saem da bagagem tão facilmente. Essas, inoportunas, podem perdurar por dias, semanas, anos. São as pequenas dores. E pra estas, o remédio não é achado facilmente. São pílulas dolorosas, contínuas, persistentes e silenciosas. São difíceis de explicar e de serem enxergadas de fora. Entre um momento de alívio e outro, elas reaparecem. Senhoras de si, podem nos tirar um pouco da razão e da clareza. Não que possamos usá-las pra justificar nossos atos, mas só quem está doente sabe o tamanho da dor que sente. Em um ano difícil (mas precisamente em 2006), aprendi da vida que não se deve desprezar a dor. Nem a do outro, que dirá a nossa. Mesmo a “dorzinha”, não é coisa boba.

Certa vez ouvi da neurologista Rossana Silvestre numa consulta médica que viver com dor não é normal. A medicina, disse ela, tem trabalhado e pesquisado para desenvolver tratamento eficaz para aqueles que sofrem de enxaquecas, as dores inoportunas e constantes. “Não fomos feitos pra viver com uma dor que não cessa, por menor que ela seja”, proclamou. Muito bem. Mas pergunto a mim mesma: quem vai  desenvolver o  remédio para nossas pequenas angústias que não arredam o pé?

C.

.ciranda

Imagem

Na ciranda leviana vi todos serem teu par.

Mas há de existir um lugar,

A ponte da transição.

Todos acham ter saído ilesos. Ilusão.

Grandes ladrões no salão,

Girando, girando conforme a música.

Não se deram conta que o fim da dança

Pode vir antes do fim da canção.

É preciso saber a hora de se retirar com elegância.

Assim como é preciso permitir-se  entrar exuberante

com vestido rodado

No meio da multidão.

De pés descalços , lábios fechados e  alma descansada,

Dançarei só. Dei o que tinha.

E cada passo será como uma leve lembrança .

C.

.sobre o personal ideas

Dia desses fiquei intrigada com um anúncio na Gazeta de Alagoas. Um box amarelo anunciava que em Maceió já estavam disponíveis os serviços de uma personal organizer. Pode parecer frescura, mas pra quem é desorganiza como eu, o tal do personal organizer até que é uma boa ideia ( se você tiver grana pra pagar). A personal vai na sua casa, coloca seu guarda roupa em ordem. Peças menores nas gavetas. Nos cabides, tudo organizado por cor e em degradé. E num passe de mágica cada coisa está em seu lugar. E já tem dias que eu fico pensando que uma coisa boa de se contratar seria um “personal ideias”.

O personal ideas seria a pessoa pra quem entregaríamos todos os nossos pensamentos tortos, aqueles mais profundos. Pensamentos que temos até medo de pensar. A gente poderia tirar do fundo da gaveta as ideias confusas e entregar pra personal que nos entregaria tudo dobrado, organizado e com cheiro de amaciante.

Mas enquanto ninguém tem essa ideia genial de nova profissão, ficamos nós, fica eu, com minha trouxa de pensamentos bagunçados aqui no fundo do armário. Uma coisa que sempre funcionou pra mim foi escrever pra organizar as ideias. Quando escrevemos, tudo fica mais límpido e conseguimos ver o tamanho real dos nossos dilemas (e de quebra nos conhecemos). Escrevendo sobre o cotidiano, entendo melhor a mim mesma e o mundo louco do qual faço parte.  Desde criança foi assim e de alguma maneira isso me levou para o jornalismo. E agora, quase três  anos depois da última postagem neste blog, volto a escrever e faço isso como exercício jornalístico e como tentativa de dar nome as coisas que não têm nome dentro de mim. De volta às crônicas.

Pela sanidade, é preciso expressar-se.

É preciso voltar a observar o cotidiano. Nem que seja o cotidiano mais íntimo.

Que a jornada (re)comece.

PS: As fotos do cotidiano destas duas mulheres usadas no template são do Marcelo Albuquerque, mas pode chamar de Marcelão.

C.

Igreja usa músicas do U2 em cerimônia

Pessoal, deixo com vocês uma notícia que li na Rolling Stones. Para quem sempre pensa sobre a dicotomia “secular-sagrado” vale ver a iniciativa desse pessoal …

u2

Músicas do U2 serão tocadas durante cerimônias dominicais de uma igreja na Flórida, Estados Unidos. A celebração religiosa, batizada de U2charist – uma mistura do nome da banda com a palavra Eucaristia -, estreou no último dia 23, na First United Methodist Church da cidade de Pensacola.


O site Pensacola News Journal informa que “One”, “With or Without You” e “Beautiful Day” (esta na abertura) fazem parte da cerimônia. “É algo definitivamente diferente”, afirmou ao veículo o reverendo Geoffrey Lentz, um dos responsáveis pelo templo. “Mas a música do U2 é tão profundamente espiritual que acredito que a hora da adoração é o lugar perfeito para ela.”

A iniciativa não é exclusividade de Pensacola. A primeira U2charist, informa a publicação, foi formulada em 2003 pela Igreja Episcopal e mudou de nome em outras entidades. Na estreia deste final de semana, cerca de 200 pessoas participaram do culto, que teve também “Where the Streets Have No Name” e “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”.

O diretor de comunicação da First United Methodist de Pensacola, Jeb Hunt, acrescentou que o mais difícil para incorporar o U2 na celebração foi a escolha das músicas. “Sentamos e vimos as canções do U2 – haviam toneladas delas – para tentar escolher aquelas que seriam melhor usadas na adoração”, explicou. “Não é apenas um show do U2. Nós queríamos músicas com a narrativa da história que estamos tentando contar, sobre a redenção e ressurreição cristã.”

Segundo a reportagem, a banda não cobra direitos autorais das igrejas, desde que as doações acumuladas na U2charist sejam direcionadas ao combate da pobreza global, em especial a entidade beneficente Millennium Development Goals, da qual Bono é embaixador.

Ainda somos os mesmos e temos ídolos como nossos pais

blog1

Acredito que manter uma revista pra adolescentes não seja tarefa fácil.  O comportamento do adolescente é instável e cheio de curiosidade como uma caixa de Panodra. Mudam de opinião repentinamente, enjoam fácil.

Até pouco tempo essa turma era chamada de geração X, agora é a geração Y e até que eu termine de escrever esse post  uma nova letra do alfabeto  será usada para designar  o comportamento dos adolescentes pós -modernos.

Os tempos mudam, nós mudamos, mas uma coisa é certa: adolescentes em histeria por causa de um ídolo é o tipo de coisa que nunca deixaremos de ver.   Eu mesma que não tive crises na adolescência e nunca fui dada ao fanatismo por músicos ou atores mirins não posso negar que tive uma paixonite por Leonardo Di Caprio na ocasião do lançamento de Titanic, filme que assisti umas cinco vezes, não por que gostasse tanto da película, mas por ser levada pelas colegas insandecidas do Colégio Batista onde estudei.

Depois de colocar crédito no meu telefone e de comprar as minhas as revistas femininas  para ler no final de semana, folheei curiosa as páginas da revista Capricho na banca . Já não é mais a mesma da minha época de adolescente justamente porque os adolescentes desse tempo já não são os mesmos. A revista está mais moderna, um designer lindo (pensado  e executado pela Lia que tem um blog muito bacana que acesso sempre , esse aqui), e um conteúdo mais abrangente ,bem distante da Capricho que um dia teve Ana Paula Arósio menininha como garota da capa.  Mais antenados,os jornalistas da Capricho devem semanalmente na reunião de pauta agradecer a Deus pelo nascimento de Stephenie Mayer e de Dona Denise Jonas

Não sabe quem são? A primeira é autora americana que criou a história da adolescente que se apaixona por um vampiro. Da mente imaginativa de Stephenie surgiu a série Crepúsculo e  da mente dos diretores de elenco de Hollywood saíram Robert Petterson que interpreta o vampiro Edward Cullen, que faz as adolescentes suspirarem.  Vira e mexe ele é capa ou está nas páginas da revista junto com Taylor Lautner que interpreta Jacob Black, seu antagonista em Crepúsculo. Como  a série tem pelo menos  três protagonistas e ainda uma cambada de irmãos vampiros igualmente charmosos, Stephany conseguiu dar a Capricho pelo menos uma dezena de edições  com conteúdo juvenil garantido. Não duvido que  um altar com a foto de Stephenie esteja ao lado de um dos computadores na redação da editora Abril. kkk

A segunda que mencionei conseguiu também grande feito: colocar no mundo três ídolos adolescentes!  Esses não saídos de sua imaginação e sim do seu ventre. Trata-se da mãe dos Jonas Brothers. Dia desses assisti ao Teen Awards na TV a cabo e outra musa adolescente apresentava o prêmio,  Miley Cirus, a tal da Hannah  Montana. O truque era fácil: se a platéia estivesse desanimada bastava dizer: “E  daqui a pouco tem Jonas Brothers”. E a histeria tomava conta dando ao prêmio uma cara de sucesso sem igual.

Os três irmãos são músicos (ou pelos menos dizem que são) e tocam aquelas musiquinhas grudentas  que seguem direitinho   a receita de uma boa canção pop. São figurinhas carimbadas na Capricho. Viva Dona Denise !!!

Como se não bastasse a Disney que um dia nos deu Justin Timberlake e Britney Spears despejou numa só leva Zac  Efron, Vanessa Hugdes (estrelas de High School Music) Miley Cirus, Denni Lovato e Hilary Duff no mercado. É muito ídolo para uma geração só!

Se você tem menos de 20 anos certamente sabe quem são cada um deles. Se tem menos de 30 pode não ser fã ou conhecer todos, mas já cantarolou uma musiqunha  do Jonas Brothers quando toca  na Jovem Pan e se tem mais de 40 certamente não os conhece mas seus filhos, ah, seus filhos sabem muito bem quem eles são. É  como disse Caetano Veloso uma vez quando era rapazinho para os algozes da ditadura: “Você não gosta de mim, mas suas filha gosta”.

Para o próximo ano, pelo menos, a Capricho estará salva. E dia após dias enquanto os ídolos de hoje envelhecem, os meus colegas da revista já pedem a Deus o aparecimento de  novos rapazinhos  com músicas grudentas . Deve ter sido assim que nossos  avós se referiam aos Beatles quando eles  sairiam de Liverpool para ganhar o mundo.

A constatação é que os tempos mudam, mas nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.

C.

ps: Ah, fica registrado aqui meus parabéns pra o pessoal da Capricho! Antenados como o  público de vcs!

Os blogs que vêm do Paraíso das Águas

Como prometido (com um pouco de atraso, é verdade) estou postando o vídeo sobre os blogueiros alagoanos, matéria que produzi para o Página Aberta, na TV Educativa. Gente criativa e histórias muito bacanas de quem fez do blog um diário ou mesmo uma ferramenta pra ganhar dinheiro!

O blogs mencionados na reportagem são:

Le Mousse

Blog do Birrada

Adriano Gianini

Mala Jornalística

O cinema e a pessoa

Enjoy,

C.


A observadora

Sou Cibele Tenório, jornalista (com diploma – para total escândalo de Gilmar Mendes), webaholic, mulher de fases. Seja bem vindo!

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