Uma passagem das Escrituras que realmente mexe comigo é o texto de João 11. Lázaro está doente. Jesus propositalmente se atrasa e ao chegar na casa do amigo Lázaro ele já estava morto e diante daquela cena Jesus chora. Sempre me intrigou o motivo daquelas lágrimas derramadas pelo Mestre diante do túmulo de Lázaro. Certo é que Jesus e Lázaro eram amigos e que o choro daquele dia mostrava o lado humano de Jesus. Mas o que realmente comoveu o coração de Jesus se ele,onisciente, sabia que dali a alguns minutos o seu amigo ressuscitaria?
Sempre que penso nisso chego a conclusão que Jesus chora ao ver o final obscuro do homem caído, destituído da glória de Deus: a morte! É como se Jesus pensasse: “Não foi assim que planejei, não era pra ser assim” E seu coração se comove ao ver o homem viver uma vida tão miserável tendo que enfrentar a doença, a desigualdade social, a dor e a morte. Elementos que não faziam parte do script da vida em comunhão e harmonia plena com a glória de Deus que Adão por um tempo desfrutou antes de cair. Jesus chora ao ver o que o pecado provoca em nós.
Essa semana eu chorei, como Jesus chorou. Não chorei por mim, mas chorei pela dor de alguém que amo profundamente. Chorei ao ver o que o pecado pode produzir e pensei como Jesus pensou: “Não foi assim que Deus planejou, não era pra ser assim”.
Essa não foi a primeira vez que as lágrimas me vieram ao ver o outro sofrer pela conseqüência de suas escolhas, de seus pecados. Lembro da situação de um casal amigo, cristãos, eram noivos. Ela engravidou e por nove meses eu e toda igreja não sabíamos disso. Envolta em panos e faixas na barriga ela conseguiu esconder nove meses de gravidez e vivia uma vida dentro das paredes da igreja, participando das atividades como se tudo estivesse bem. Como ela conseguiu esconder a gravidez todos os meses? Realmente não sei. Certo dia veio a noticia de que essa amiga que nem sabíamos que estava grávida tinha tido um bebê. Um bebê??? Como assim???
Nos sentimos traídos, enganados e ao mesmo tempo compadecidos de tudo aquilo. Ela, logo foi expulsa de casa e o noivo teve que rapidamente arrumar um casebre para que pudesse ficar com ele e a criança. Respirei fundo e sem ter pedras na mão fui visitá-la. Ao chegar na casinha simples em um móvel sequer eu chorei. Num colchão no chão estava ela e o bebezinho. Num caixa de papelão no canto do quarto, algumas roupas recém compradas. Poucas cenas na vida me deixaram tão chocadas, porque nessa hora eu pensei o que Jesus pensou: “Não era assim que Deus tinha planejado, não era pra ser assim”. Eles tinham nas mãos o poder de ter vivido aquela situação da chegada de um bebê num contexto tão diferente, mas por causa de suas escolhas sofreram muito.
Nos abraçamos e eu nada disse. O seu choro era de arrependimento e de desespero. Ela contou sobre a angustia de viver sob a mentira durante todo o tempo e como se sentia envergonhada de chegar até aquele ponto. Enfim, com graça fomos ajudando aquela família formada de maneira atropelada até que o amor de Deus que encobre multidões de pecados os recebeu de volta e hoje eles vivem uma vida feliz como família e têm outro bebezinho.
Mas aquela cena de quase cinco anos atrás ainda mexe comigo e me traz um temor imenso. Está em nosso poder escolher a benção ou a maldição, o bem ou o mal, fazer as coisas à maneira de Deus ou do nosso jeito, seres caídos, embora redimidos, escravos do pecado.
Hoje chorei ao ver no homem a conseqüência cruel de seu pecado. Mas me alegrei na graça do Deus que pode superabundar em graça, onde o pecado abundou.
Que Ele nos abençoe e nos ajude a escolhê-lo,
C.


