Um país que não respeita seus atletas não pode ser levado a sério.Tem coisa que só acontece no Brasil mesmo. Ontem assisitia o Altas Horas e fiquei relamnete pasma ao ouvir da ginasta Jade Barbosa que para custar seus tratamentos médicos ela e o pai tiveram que fazer camisetas para vender para os fãs. Nem a Confederação Brasileira de Ginástica, nem a Caixa Econômica (que patrocina a equipe brasielira de ginástica), nem o clube que ela treina, o Flamengo, estão acracando com custo algum no tratamento. Mais uma vez ao pedir de maneira constrangida a ajuda dos fãs, Jade chorou.
O modelo feminino Pequim-2008 custa R$ 25,00, enquanto as demais camisetas estão à venda por R$ 49,90. Além disso, a ginasta comercializa mochilas e bonés, entre outros produtos licenciados. Para quem quiser ajudar o material está disponível no site: www.jadebarbosa.com.br .
Não é de hoje que o Galvão Bueno passa dos limites nas coberturas esportivas. A vontade que a gente tem às vezes é a de baixar o volume da tv e ficar vendo só as imagens. Na abertura das olimpíadas desse ano Galvão só faltou comentar a purpurina da roupa da bailarina. Tá certo que tudo aquilo tem um significado e que a gente assistindo em casa, sem o roteiro da festa, não entende muita coisa. Mas nem sempre é preciso entender, basta sentir. E o Galvão querendo transmitir emoção estraga tudo.
Nesse final de semana o César Cielo ganhou a prova dos 50 metros da natação; Galvão, com seu sensacionalismo barato, logo começou a dedicar a vitória do atleta à sua vó. “Dona Olga, sinta-se orgulhosa”, e falava isso como se conhecesse a senhora e fosse o melhor da amigo da família, sendo que ele não é. Daí pra frente o Cielo era um mero figurante. Tudo girava em torno da Dona Olga que mandava beijos para Galvão e dizia que o amava. Quem ligou a tv nessa hora ficou sem entender….
E quem não tem a ESPN em casa é obrigado a ter que ficar vendo e ouvindo isso.
Amanhã, 08/08/2008 às 8h08 (horário em Pequim), 09h08 no Brasil, estaremos ligados na frente da tv para ver o show que a China preparou para a abertura da Olimpíadas 2008. Não sei explicar bem o que faz a gente ser tão atraído pelo evento. Creio que isso se explica um pouco pela superação dos atletas, o sentimento de patriotismo, asnações ali representadas e o próprio encanto de cores e luzes que envolvem toda a festa.
Mais do que esperar pelas competições em si, a gente espera pela festa de abertura ou pela de encerramento. Impossível não se sentir atraído a essa espécie de circo de luxo, cheio de efeitos e movimentos, que ainda por cima conta com a presença de representantes do mundo todo. Alçados a estatura de heróis, entram os atletas, país após país, dentro do estádio. E que emoção é ver aqueles por quem torcemos, muitos deles nosso conterrâneos (Viva a Marta!), naquela algazarra boa que só o Brasil sabe fazer. Atletas com câmeras filmadoras na mão, dando mil thauzinhos, um que sobe nacorcunda do outro. Bagunça boa que gostamos de ver.
E são essas imagens que ficam na nossa memória. Muhamad Ali já bem afetado pelo mal de Parkinson acendendo a tocha na olimpíada de 1996 em Atlanta ou Sarah Brightman e Jose Carreras cantando “Amigos Para Siempre”nas Olimpíadas de Barcelona em 1992. Lembro bem quando uma amiga da minha mãe foi a Barcelona de férias, um pouco antes das olimpíadas e trouxe pra mim o Cobi de presente, mascote daquele ano. Uma espécie de cachorro ou sei lá o que, era difícil identificar, mas que me cativou facinho. Tanto que o Cobi virou um desenho que passava toda tarde na TV Cultura.
Acho que o plano desses mascotes é sempre esse: fazer a gente gastar horrores em quinquilharias que tenham o bichano e deixar as crianças hipnotizadas pelos jogos. Daí a gente cresce e continua bobo feito criança assistindo o evento e desejando ter aqueles mascotes fofos como os da Olimpíadas desse ano. E pra piorar o negócio, nessas olimpíadas são cinco mascotes. Cinco!
Em 1980 meu pai ainda namorava com a minha mãe e eu ainda não fazia parte dos seus planos. Foi nesse ano que foi realizada as Olimpíadas de Moscou que foram boicotadas pelos Estados Unidos. Era o auge da Guerra Fria. Não lembramos no quadro de medalhas ou quem foi o atleta destaque dessas olimpíadas. Mas a imagem que ficou eternizada foi essa aqui, a de um urso choroso, triste pelo fim da festa em seu país. Vi isso pela primeira vez anos depois e me emocionei do mesmo jeito. heheh
Qual imagem memorável Beijim nos dará amanhã? Esperemos pra ver,
C.
A observadora
Sou Cibele Tenório, 25 anos, jornalista, cristã, curiosa, falante a bessa. Sou isso e mais um monte de coisas. Pensando, contestando, refletindo, sorrindo, escrevendo, fuçando. Gerúndios que me acompanham. Fiz disso aqui diário, jornal, tribuna, circo. Um pouco do meu olhar sobre o mundo. Só não sei se o mundo que é grande pra o meu olhar, ou meu olhar é que engole esse mudão todo.
Seja bem vindo!