Textos categorizados 'cristianismo'

Os regueiros alagoanos e a justiça social

Estou aos poucos colocando as matérias que produzo no meu canal no youtube que é esse aqui. Deixo aqui no blog pra vocês uma matéria que fizemos há um tempo atrás sobre o cenário do reggae em Alagoas. Por aqui o rtimo ganhou identidade própria e apesar dos preconceitos tem saido da periferia e chegado aos jovens da classe média. Nunca fui num show de reggae na vida, mas tenho que dizer que produzindo essa matéria me desfiz de muitos preconceitos e passei a admirar o pessoal que entrevistamos.

Destaco o pessoal da Banda Mensageiros de Jah, integrantes da Igreja Batista da Jatiúca. Na matéria vocês vão ver que é na própria igreja que eles ensaiam e lá recebem todo o apoio pastoral necessário para fazerem diferença no meio em que trabalham. A justiça social cantada nas músicas do Mensageiros é na verdade o grito que deveria ecoar da Igreja, assim como era no passado quando profetas como Ageu e Isaías erguiam a voz pra dizer que o reino de Deus é sim salvação da alma, mas também é o bem estar do cidadão. Enfim, mas essaé outra discussão  elonga por sinal.

Tem também a Banda Mandhalas formada só por mulheres e o Vibrações que é sucesso nas banquinhas  de cd e dvd piratas da cidade.

C.

Maceió Diante do Trono

 

Semana passada o Diante do Trono esteve aqui em Maceió. Ao longo desses dez anos o grupo já havia ministrado em 26 estados brasileiros e em outras nações mas nunca havia vindo aqui antes. Dia 08 de novembro mais de 20 mil pessoas se reuniram no Metrópole Hall para o evento. Maior público que a casa de shows já teve.

Sabendo da vinda deles pra cá logo entrei em contato com a assessoria de imprensa e depois de alguns percalços conseguimos que Ana Paula Valadão e Elias (violonista do grupo e fiel escudeiro de Ana Paula) concedessem uma entrevista na TV Educativa de Alagoas onde trabalho. Quando sugeri o nome dela aos produtores e expliquei que a mocinha de rosto doce era uma das lideranças cristãs mais fortes do país, os produtores concordaram que valia a pena sim entrevistá-la. Isso realmente me impressionou, pois a TV Educativa, tv pública e oficial do Estado de Alagoas sempre tratou os cristãos com muito descaso. O Estado é laico, sabemos, e por isso na teoria sua tv também deve ser. Só que na verdade as religiões afro, por exemplo, rotuladas como  herança cultural brasileira reinam absolutas  em programas e documentários na nossa tv. Intocáveis e respeitadas ali dentro. E por que não há o mesmo respeito com o cristianismo?A tv pública é sustentada com recursos de espíritas, católicos e evangélicos também.  Por isso o fato de Ana Paula entrar pelas portas daquela televisão sendo realmente bem vinda me impressionou. Para a expansão do seu reino, Deus fará coisas que nossos olhos duvidarão. E devemos ser em nossas áreas de atuação profissional, parceiros dEle.

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Expliquei a Ana Paula quem era o nosso público que mesmo sendo pouco é formado por formadores de opinião: professores, jornalistas, intelectuais e o quanto a presença de um cristão ali propagando o evangelho era representativa. Mesmo porque nesse mesmo dia exibimos uma matéria minha e do repórter Fabrício Camboim sobre a nova rota de fé dos nordestinos que agora em grupos muito grandes se deslocam à cidade de Mata Grande, no interior do Estado, em busca de um encontro com Padre Cizino, mais conhecido como Padre Cizo que se intitula o novo Padre Cícero (Falarei dessa figura em breve). Como nos dói ver milhares de romeiros depositando a sua fé em verdadeiros mercenários.E assim em 12 minutos ao lado de Miguel Torres, Ana Paula deu o seu recado e soube aproveitar bem cada oportunidade.

 

Desconto para as fotos tiradas no celular....

Desconto para as fotos tiradas no celular....

No sábado tivemos uma noite poderosa permeada por canções que falavam sobre justiça e o amor de Deus e seu interesse pela nossa terra. A palavra trazida por Ana Paula é a mesma dada a Deus por Moisés ao dizer que o clamor do seu povo, escravo há mais de 400 anos no Egito, estava chegando aos seus ouvidos. Numa escravidão parecida vivemos aqui. Reféns de uma desigualdade social gritante, o povo geme. Foi muito bonito ver os alagoanos cantando “Por amor de ti, Maceió, não me calarei, nem me aquietarei”. E debaixo dessa palavra de Isaias 62 que diz que o Senhor mudará o nome da nossa terra de desolada para procurada e desejada voltamos pra casa amando mais o lugar onde o Senhor nos plantou.

 Videozinhos do dia:

Muito mais do que a geração que dança

 

Essa semana fui num show cristão e fazia tempo que não ia em um. Não tenho mais a paciência de outrora e para me tirar de casa hoje em dia tem que ser alguma coisa bem bacana. Me senti adolescente de novo e me diverti vendo os jovens evangélicos que privados de  oportunidades para sair, se arrumar e  dançar fazem de um simples show num sábado qualquer um mega acontecimento. Enfim, mas o que me chamou atenção e me fez escrever hoje é a maneira como as lideranças evangélicas ainda tratam os jovens.

Uma cantora aqui, outra banda depois e uma palavra dos pastores para “aquietar” o facho da meninada. Sobe o pastor jovem no palco. “E ai, juventude do avivamento!!!???”, bradou o pastor em tom de animador de auditório. As palavras são sempre as mesmas. Parece que as únicas passagens da bíblia que podem ser compartilhadas com os jovens são (nessa ordem): Daniel e os amigos que não se contaminaram com a comida do rei, Davi contra Golias, Moisés aconselhando Josué, O texto de Salomão sobre lembrar-se do criador na mocidade e o texto em que João se refere aos jovens como fortes e afirma que eles já venceram o maligno. Nada além disso. Qual foi a palavra do pastor no show? “Jovem, eu nos escrevi porque sois fortes. Amém ou não amém??”

 As igrejas neopentescostais voltaram o olhar para os jovens e criaram dentro da sua programação alguns redutos, redes e cultos específicos em dias específicos da semana, geralmente aos sábados. A idéia é que a igreja passe a ser a nova “balada” e que ao invés de irem para a  boate ou coisa assim o jovem sinta o desejo de ir para igreja. O problema é que muitas vezes o clima de festa e todos os apetrechos para que a igreja pareça moderninha tomam o lugar da espiritualidade genuína que deve ser gerada em cada um dos jovens e adolescentes que freqüentam esses cultos. Palavra simples, comida mastigadinha dada pelos pastores e o resultado são jovens que não ousam questionar palavra alguma vinda de cima dos púlpitos. Gente que não aprendeu a caminhar sozinha com Deus, que não se aventurou no estudo dos valores do reino e que não atravessam a rua sem ter que consultar esses líderes. Prato cheio pra manipulação. Conveniente para líderes que crêem que assim não terão problemas com seus rebanhos. Contudo o problema é que esses jovens serão os adultos que vão ser levados por qualquer discurso eloqüente, que não saberão dizer o valor real de sua fé, que terão aversão e não saberão estabelecer um diálogo saudável com um ateu, por exemplo   e que irão enlouquecer ao se depararem com o primeiro erro desses líderes.

 Por que a abordagem da palavra ministrada aos jovens é sempre tão superficial? Por que os jovens são tratados como parte inferior desse evangelho? Por que para os pastores a única coisa importante é manter os jovens cristãos longe das drogas e da prostituição, como se nossa vida só fosse isso? E por que os jovens aceitam essa posição de serem figurantes? Por que se permitem serem tratados dessa maneira?. Queridos líderes e pastores: não nos tratem como idiotas.

 Uma coisa que não nos ensinaram dentro das nossas igrejas é a exercermos a crítica. Mas acreditem, sem questionamento não há encontro com a verdade. É o próprio apóstolo Paulo quem nos ensina isso. Ele mesmo pede para que sempre questionem o seu discurso e diz aos irmãos da igreja primitiva a não lhe darem ouvidos se encontrarem alguma conceito deturpado em suas palavras. É preciso termos um coração aberto e ensinável, mas que esse olhar que questiona e nos inspira em busca da verdade não deixe de nos acompanhar.

Ontem lembrei de uma canção do David Quilan que diz que “seremos a geração que dança por causa da Tua fidelidade, ó Deus”. Você quer mesmo ser o lembrado como alguém que faz parte da geração que dança? Que tem de mais nisso? Uma geração que se emociona em cultos de louvor e adoração, que curtiu nas baladas gospel. Obesos espirituais dentro das quatro paredes das igrejas? Eu quero ser lembrada como alguém que fez parte de uma geração que viveu o cristianismo puro e simples, que na visão crítica aumentou a sua fé, que entendeu que ser santo não é ser isolado  e que para cumprir o chamado percebeu que iria precisar do ímpio. Sim, do ímpio.

Eu quero ser bem mais do que a geração que dança,

C.

 

Seria Deus fatalista?

 Mesmo sendo  cristã por vezes percebo o quanto sou fatalista. O fatalismo é a corrente filosófica que diz que nada podemos fazer diante dos acontecimentos do mundo, que todo e qualquer acontecimento é irrevogável  e que,  portanto, somos agentes passivos diante dos fatos ao nosso redor e dos fatos da nossa própria vida.

 

Por vezes me sinto fatalista e pior, considero Deus fatalista também. Diante de uma crise, um problema que parece irrevogável, me pego pensando: “Ferrou tudo! Não tem mais volta”. E surpresa diante do infortúnio imagino Deus surpreso também, como que pego de calça curta. Por vezes imagino Deus no seu trono, olhando pra minha vida lá de cima e roendo as unhas torcendo para  que  sues planos dêem certo. Por vezes imagino Deus dizendo: “Querida, eu tentei, mas diante dessa situação não há o que fazer.” Como o médico que depois de tentar por muitas vezes fazer reviver o paciente no leito de uma sala de cirurgia vem comunicar aos parentes sobre sua morte.

 

Seria Deus fatalista então? Jamais! Mesmo porque o fatalismo é   contrário a fé, aos valores da própria Palavra. Porque do que adiantaria a oração, o jejum se nada disso tivesse proveito algum para transformar circunstâncias e situações? De nada valeria dobrar os joelhos. Deus não é fatalista porque as circunstâncias não limitam seu poder, nem seus planos. Ele jamais será pego de surpresa com coisa alguma. Hoje precisei lembrar disso para poder viver, para poder caminhar, para poder respirar.

 

Hoje me lembrei de sentenças de morte que foram dadas e em seguidas  revogadas pelo próprio Deus. Lembrei da palavra dada ao Rei Ezequias de que ele já bem doente iria morrer. E de como o seu clamor comoveu o coração de Deus que lhe deu mais 15 anos de vida. O fatalismo não pode existir diante de um Deus que nos convida a buscá-lo para vermos  as circunstâncias modificadas: “Invoca-me no tempo da angústia. Eu te livrarei e tu me glorificarás”.

 

Depois de Jesus ter expulsado o demônio de um rapaz lunático, os seus discípulos perguntaram-lhe: Porque é que nós não fomos capazes de expulsar?. Jesus respondeu: É por que vocês não têm bastante fé. Eu garanto a vocês, se tiverem fé do tamanho de uma semente de mostarda, podem dizer a esta montanha: Vá daqui para lá, e ela irá. E nada será impossível para vocês (Mt 17,19-20)

 

 

Que a fé mate todo fatalismo no nosso coração,

C.

Quando o próprio Deus escolhe ser humilhado

Nada do que venha abandonar um dia, se compara ao que Ele abriu mão por mim. Não posso gloriar-me de deixar para trás nada, sendo que ele, sendo Rei do Universo, abriu mão disso para viver como homem, sujando os pés com a poeira dessa terra. E está  humilhação  culminou na cruz. Mas o caminho de humilhação é bem  anterior aos cravos.

 

Humilhação é a própria divindade, agora bebê, depender dos cuidados de uma das suas criaturas. É aquele que não se cansa, se submeter a caminhadas longas sob o sol escaldante do Oriente Médio. Sol que por sinal é apenas mais um dos elementos de sua criação, sol que se submete a Ele. Aquele que tinha anjos ao seu dispor para servi-lo, escolher servir. Aquele que é onipotente, conhecer de tudo e todos, aceitar ser questionado por meras criaturas tão cheias de si. Sentar-se para comer junto com homens simples, com prostitutas, ladrões e amá-los com amor profundo. Depender da assistência financeira de mulheres, logo ele dono de todo o ouro e toda prata. Que experiência humilhante o criador se tornar criatura somente por amor. E por fim, escolher sofrer. Sofrimento esse que vai muito além do que o dos pregos nas mãos. Não é o sofrimento físico, porque esse, creio que Jesus suportaria bravamente. Ele não era menos fraco ou frágil do que os mártires da igreja, como Estevão, que morreu apedrejado. Engana-se quem só se compadece pela dor das chibatadas ou dos cravos. Sofrimento é carregar o peso dos pecados do mundo inteiro. Carrego o peso do meu, só dos meus e não dou conta. Imagine levar sobre os ombros a ira de Deus pelo pecado de todos?!Sofrimento é  se identificar a tal ponto com o pecador.

 

Que então eu poderia abrir mão pra recompensar tamanho sofrimento? Nada do que posso fazer ou dar se compara ao tamanho da sua renúncia. Nada tenho de valor, meus bens se resumem a um punhado de livros  e um computador! Nada tenho a dar, a não ser minha própria vida e ainda assim estaria em débito. Não há alternativa senão a entrega à sua vontade. Que ele receba a recompensa, através de mim, pelo seu sofrimento.

 

Escutem essa música aqui (Clicando aí na setinha). Nívea Soares com sua voz doce canta exatamente isso.

 

 

Que o Cordeiro Receba

 

Que o Cordeiro receba
A recompensa
Do Seu sofrimento
Que o Cordeiro receba
A recompensa
Através de mim
Só pela graça
Isso acontecerá
Entregar minha vida
É um dom do Senhor
E ao Cordeiro
Que reina entre nós
Eu dou minha vida
Eu dou minha vida
Como oferta

C.

 

 

 

 

 

 

 

Você tem fome de que?

 

Bebida é água.
comida é pasto.
você tem sede de que?
você tem fome de que?
a gente não quer só comida
a gente quer comida, diversão e arte.
a gente não quer só comida,
a gente quer saída para qualquer parte.
a gente não quer só comida,
a gente quer bebida, diversão, balé.
a gente não quer só comida,
a gente quer a vida como a vida quer.

 

Fui criança na década de 80 e no início dos anos 90. Cresci ouvindo todas aquelas canções que hoje são cantadas em festinhas com temática dos anos 80. De Balão Mágico a Léo Jaime. De Ritchie a Xuxa. Cresci numa época em que musica era diversão. Já não se fazia canções políticas e cm letras contundentes  como as de Chico e Caetano na década de 60 e 70, por isso muitos consideram a década de 80 a mais improdutiva e menos criativa de todas. Mas nessa época também começou a  grande virada do rock nacional com bandas como o Barão Vermelho, o Legião Urbana, e os Titãs. Era bem criança, mas me lembro do Arnaldo Antunes, ainda nos Titãs, cantando a música Comida, no programa Globo de Ouro, na Rede Globo. Cabelos pretos espetados, um olhar mórbido, uma voz grave. Esse era o máximo de contato que poderia ter com o rock: através da televisão. Apesar da minha mãe ser uma cristã fervorosa e apreciadora de música, o máximo de rock que tinha lá em casa eram as fitas de rock do Queen do meu pai. Mas me lembro bem de cantarolar Comida quando criança: “Você tem sede de que? Você tem fome de que?”

Foi só depois de algum tempo, anos depois, que entendi o que significavam essas perguntas. Existe uma fome em nós que é a  necessidade de expressar-se e de consumir a expressão do outro. Porque sem arte a vida não tem sentido. Sem música, sem beleza, sem novela, sem teatro, sem circo, sem poesia, sem flor desabrochando, sem pôr do sol.. Que vazio seria!

 Durante muito tempo como cristã, condenei qualquer forma de arte que não tivesse como destino final, o Criador e seus atributos. Mas quando escutei acordes de um conterrâneo, Djavan, que chegavam aos meus ouvidos com uma doçura sem fim, me veio a iluminação: Nenhum talento vem de nenhuma outra fonte senão a do próprio Deus. Mesmo quando não pensam em louvar, eles louvam. Descobri que Deus é artista, é compositor, o designer mais rebuscado, o cineasta de histórias maravilhosas, a divindade que ama a poesia e e encheu seu livro com um bocado delas. Deus é arte e por isso a gente se emociona ao ver um filme bonito, chora ouvindo uma musica, se espanta com o absurdo da beleza da Praia do Gunga. Basta abrir os olhos e se deparar com sua exposição permanente.

 O Evangelho consiste em deixar pra trás um montante de coisas. Vamos ter que sacrificar por amor a Ele um bocado delas, mas se tem uma coisa que ele nunca vai pedir para que deixemos pra trás, será a beleza da arte . Da arte do outro e da arte em nós, da nossa própria expressão, do nosso olhar diante do mundo. Que nos levem tudo, mas que não nos roubem a capacidade de nos  expressarmos e de suspirar ou até mesmo de contestar a arte e seus caminhos. Isto está no nosso DNA e não tem como fugir. Continuamos famintos de comida (para o corpo e para o espírito) de diversão e arte.

C.

A razão da esperança

Dia desses me peguei com um texto conhecido rondando minha mente. Tratava-se de uma palavra dita pelo Apóstolo Pedro em uma das suas cartas. “Estejam sempre prontos a responder a qualquer um que questione a razão da esperança que há em vós”, ele fala em I Pe.3:15. Passei mais um bocado de dias refletinndo sobre isso, sobre ter na ponta da língua a razão da esperança que há em mim.

Como sempre faço com as frases que me chamam a atenção durante a semana, coloquei a frase dita há séculos no msn. Surpresa,vi uma das janelas de conversação piscar. E a pergunta era: “Porque há motivos para ter esperança se caminhos para a morte?”

Quem questionava era um colega de trabalho, jornalista. Homem inteligente, mas que me parece atormentado por uma depressão quieta. Embora veja um sorriso no seu rosto, me deparo sempre com uma melancolia no olhar que nunca tem fim. Era hora de falar sobre a esperança que há em mim e assim o fiz, não de maneira religiosa ou com jargões evangeliquês que assustam, mas falei que só  existe motivos para ter esperança através da fé, do amor de um Deus poderoso e no poder de um Deus amoroso.

Talvez as palavras de Pedro ressoem ainda com mais força no nosso tempo. O niilismo, a caminhada sem direção, a falta de propósito na nossa era mais moderna é ainda mais acentuada. A solidão é a companhia de tantos, o ritmo da vida voltada para o trabalho e para o ter, ter e mais ter acentuam ainda mais o vazio do coração do homem e esse sim nunca muda, o vazio é o mesmo que estava no coração de um Adão caído, se redescobrindo em suas próprias misérias, longe da glória do Criador.

Na mesma época, uma grande amiga, Louise me questionou: “Porque você está sempre feliz?”, como se querendo uma fórmula para ter sorriso no rosto. Achei interessante pensar que é assim que ela me vê. Porque essa postura nada tem a ver com otimismo ou com a ausência de motivos de tristeza. Me lembrei que o mesmo Jesus que disse: “No mundo vocês terão aflições” é o mesmo que disse “O vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar” e “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”

Em meio a dores e loucuras de um mundo turbulento, há motivos para ter esperança. O Deus em cuja mão estamos é amor e se isso não nos der esperança, o que mais dará?

C.

Uma igreja chamada Vertigo

Reproduzo abaixo um texto que achei fuçando os blogs da vida.. É longo, mas vale a pena ler!

C.

 

 “Hello, hello! I’m at a place called vertigo…” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso.

Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de comportamento. Enquanto isso, o “Você também” do U2 prefere incluir.

Não sei se a maioria quer enxergar o miolo da questão, se quer tocar a alma desses artistas. Aos que desejam isso, sugiro uma leitura atenta das músicas. O U2 fala, principalmente, da loucura da vida moderna, das nossas cidades, da ausência de sentido das guerras, das conquistas, dos fracassos. Num mundo vertiginoso, eles procuram algo que os faça “sentir” –é o que diz “Vertigo”. Mas é também o que diz “I still haven’t found what I’m looking for”, na qual Bono canta a sua busca por entender o sentido da condição humana.

As cidades sem nome, onde as luzes cegam, os arranjos eletrônicos que causam estranhamento… São esses os cenários desenhados pelo U2 em seu lamento pela tristeza do mundo, que vem desde o domingo sangrento de “Sunday Bloody Sunday”. A crítica musical muitas vezes o classifica como piegas. Porém a maneira como os irlandeses se colocam no hit parade, carregados de influências que vão dos Beatles aos punks Ramones, apresentando criações originalíssimas e baladas que marcam gerações, é surpreendente. Em todas as letras, há conceitos cristãos claros, e as bandeiras –como a coexistência pacífica das religiões, e não o ecumenismo— são as mais evangélicas que conheci.

Há canções específicas em que o Evangelho é declarado de forma explícita, porém os que não são cristãos não a compreendem dessa forma. Dos primeiros CDs da banda até o consagrado “War”, as referências à fé predominam. Em “Boy”, o trabalho de estréia do U2, Bono canta em “I Will Folow” (“Eu Seguirei”): “I was on the outside when you said/ You needed me/ I was looking at myself/ I was blind, I could not see. (Eu estava por fora quando você disse. Preciso de você. Eu estava observando a mim mesmo/ Eu estava cego, não podia ver)”. Entre “Boy” e “War”, está “October”, considerado um dos trabalhos mais cristãos da banda.

Além das declarações de fé do U2, o testemunho público de Bono confirma o que ele canta. O envolvimento do vocalista no Jubileu 2000, movimento que propõe o perdão da dívida externa dos países africanos, o forçou a atrasar em um ano o lançamento do novo CD. Há 25 anos casado com a mesma mulher, Bono fala com presidentes, discursa, prega em seus shows usando o palco como púlpito. Em qualquer oportunidade, ele está chamando atenção para a pobreza e a injustiça social.

Tudo isso pode parecer novidade para nós, brasileiros, mas para irlandeses e americanos, a confissão de fé dos roqueiros do U2 é praticamente domínio público. Este fato está sendo corrigido com o lançamento de “Walk On A Jornada Espiritual do U2”, tradução do livro de Steve Stockman (W4 Editora). Neste ensaio, vemos a compilação de milhares de entrevistas de Bono Vox ao longo dos anos e descobrimos que ele mesmo parou de tocar no assunto igreja para evitar maiores transtornos pessoais e na carreira da banda. Mas há muitas outras coisas interessantes a conferir no livro.

O passado do jovem vocalista em Dublin, o tempo de escola bíblica, é um dos capítulos interessantes. Entendemos o que era o movimento evangélico daquele lugar naqueles tempos. Era o auge da guerra entre católicos e protestantes e a igreja não estava encerrada entre as quatros paredes do templo, e sim nas trincheiras. As canções não eram apenas de louvor, mas também de protesto por tamanha incoerência de ambos os lados da batalha. Quem não se lembra da cena de Sinéad O’Connor, a cantora careca de “Nothing Compares 2 U”, queimando a fotografia do Papa?

O U2 é um produto da Igreja, mas não para consumo interno. Hoje, vejo em Bono inúmeras expressões do Evangelho, e dos valores que aprendemos aos domingos (ou que deveríamos estar aprendendo), vejo a tentativa frutífera de atingir para além do gueto que criamos, para além dos muros do templo. E isso, convenhamos, assusta a qualquer um. Ao mesmo tempo revela uma coragem que a maioria dos nossos músicos maravilhosos não tem. Aqui eu escrevo sem ironia: nós, cristãos, abastecemos o setor fonográfico há anos, com músicos que, fora da igreja, ajudam a embalar multidões com boa música cantada por não-cristãos, enquanto dentro produzem canções muitas vezes repetitivas e sem criatividade, sem força para ir além do muitas vezes mesquinho e vazio mercado evangélico.

Não conheço Bono o suficiente para saber se ele é um exemplo a ser seguido, mas não posso ignorar a verdade de suas bandeiras. Quando assisto a um megashow como o que ele fez em São Paulo, considerado por muitos o maior show de rock da história do Brasil, não posso deixar de me sentir desafiado e de me identificar com a proposta desses malucos irlandeses. Como político, sempre rejeitei o gueto. Sempre me recusei a, como vereador, me restringir a ser um despachante de igreja, a viver de favores, fechado num mundinho autodenominado cristão.

Nunca entendi que Jesus pregava a salvação para aqueles que fossem “bonzinhos”. Entendi que o céu era para aqueles que acolhessem o estrangeiro, para os que desse água ao sedento, comida ao faminto. Talvez seja essa a pergunta perseguida por Bono: o que é a salvação? A julgar por algumas letras e discursos da banda, a salvação é sinônimo de humanização. A partir do momento em que nos tornamos mais humanos, mais parecidos com Jesus nos tornamos. E, acima de tudo, a salvação é para todos, não apenas para um grupo de iniciados.

Para concluir, o U2 nos ensina que o projeto de expressar os valores da Igreja para o além-muro pode dar certo, seja em canções, seja em políticas públicas. Não sei se poderia considerar heresia ouvir uma multidão como a que lotou o Morumbi cantando os versos de “40”, composição do CD “War”, na qual Bono é explícito em sua fé. Na música, ele diz: “You set my feet upon a rock. And made my footsteps firm. Many will see, many will see and hear (Você pôs meus pés sobre a rocha. E firmou os meus passos. Muitos verão, muitos verão, e ouvirão)”. Posso dar o testemunho de quem viu isso ao vivo, como eu. É emocionante. Ouvir o nome do Senhor exaltado dessa forma é de arrepiar.

Por Carlos Alberto Bezerra Jr
 

 

Eu tenho um sonho… parte 2

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Tenho acompanhado com atenção as prévias das eleições americanas. A possibilidade da maior nação do mundo ter um presidente negro é realmente intrigante, levando em conta a recente história americana. Gosto do Obama. Votaria nele. Enquanto observo Obama nos debates lembro imediatamente daqueles que sofreram e até foram mortos na luta pelos direitos civis para os negros e mulheres. Para o Obama tá ali hoje, muito sangue foi derramado no passado. Lembro imediatamente de Martin Luther King

A gente sempre estuda a história do Luther King na escola e conhece sua frase célebre dita num famoso discurso “I have a dream…” Mas hoje, adulta, cristã e consciente do que Deus exige de mim nesse mundo louco entendo o tamanho do peso da vida de Luther King. Ele, um cristão, pastor, não se restringiu a viver pregando sermões nos púlpitos das lindas igrejas americanas, não resumiu sua vida em orações proféticas pela restauração da nação. Luther King, como Jesus, foi para as ruas, agregou todos os que pensavam como ele, numa revolução pacífica conseguiu o que era quase impossível aos negros da sua época: ser ouvido!

No discurso que ficou famoso, Luther King proclamou:

“Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão  niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.”.

Todos os brancos pararam para ouvir o que um negro tinha a dizer. Luther King morreu assassinado por aqueles que achavam suas idéias absurdas. Creio que sua vida foi uma oferta, porque se engana quem acha que Luther King não morreu por uma causa cristã. Luther King entendia o que muitos cristãos não compreendem hoje: o papel da igreja na sociedade em que está inserida. Quando falava sobre igualdades de direito, estava proclamando os valores do Reino de Deus.

Não, a esperança para a nação americana não está no Obama e nem em homem algum. Mas quando o justo governa, diz a palavra, há paz!

C.

Gollum: o impostor que há em mim

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Relacionamentos são sempre surpreendentes. Gosto de descobrir histórias e características novas em amigos antigos. Conheço o Carlos Alberto (comigo e Louise e Ana Cecília na foto) desde os tempos de colégio, fiquei pasma ao descobrir a pouco que ele luta karatê!!! Continue lendo ‘Gollum: o impostor que há em mim’


A observadora

Sou Cibele Tenório, 25 anos, jornalista, cristã, curiosa, falante a bessa. Sou isso e mais um monte de coisas. Pensando, contestando, refletindo, sorrindo, escrevendo, fuçando. Gerúndios que me acompanham. Fiz disso aqui diário, jornal, tribuna, circo. Um pouco do meu olhar sobre o mundo. Só não sei se o mundo que é grande pra o meu olhar, ou meu olhar é que engole esse mudão todo. Seja bem vindo!

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