Eu sou mestre em trapalhada. Distorço palavras e dou passos largos quando lá atrás vejo a sombra de alguém que caminha timidamente. A pressa me atrapalha e eu me embanano toda. Confundo intenções que para qualquer um estão mais que claras. Atraio gente confusa. Sequestradores de afeto. Faço piada na hora mais caótica que é pra manter o mínimo de leveza. Num mundo de incredulidade, continuo acreditando. Quebro a cara. Ooops. Choro. Desligo tudo. Penso que já passei por coisa pior. Sorrio. Acho que aprendi a lição. Daí a pouquinho, caio em papo malandro de novo e penso: “Vai ser burra assim na China” (a gente diz a China para não falar inferno, né? Mas não sei porque logo a China). Me olho no espelho com vontade de me dar um cascudo, dois segundos se passam e já me dou um sorriso com uma piscadinha de canto de olho. Malandra! Às vezes brigo comigo mesma, mas logo faço as pazes.
Ninguém me ensinou a filtrar relacionamento. Sou ecumênica por natureza. Tenho amigo gay, católico, sou amiga de gente chata. Tatuados, certinhos conservadores, religiosos, os que espantam todo mundo com uma liberdade tamanha. Tradicionais e os pentecostais sapatinho de fogo.Os ricos, os lisos. Patricinhas, crianças. Dou risada com esse povo todo e não vou me privar de viver com cada um deles por convenção social, religiosa, econômica, intelectual ou porque quebrei a cara com uns caras de pau pelo caminho. Quer viver, aprender, amadurecer? Coloca a cara na rua, bate papo, se despe de preconceito.

Eu e Ana perua!
Eu quero ser assim, preciso ser assim a despeito de toda e qualquer experiência ruim que tenha tido. Continuo atrapalhada demais. Tenho doutorado em brôquice se é que existe essa palavra. Mas esse é o meu, esse é o nosso DNA e não há como fugir dele. Somos imagem e semelhança de um Deus pessoal e relacional, que se há de fazer? Somos seres relacioanais. No conflito sei que vou chorar a milésima lágrima, me darei uns bons cascudos, farei uma piada sem graça num dia triste e daqui a pouco vou sorrir de novo.
“Eu sou malandro e tenho dribles geniais, já venci o mal uma vez e posso fazer de novo”
Luo.
C.