Fazendo compras no supermercado hoje me deparei com uma foto em tamanho real de Rodigo Lombardi, o Raj que faz as mulheres suspirarem na novela Caminho das Índias. Era um anúncio de uma promoção “Ô lá em casa” da Bombril. Não sei dizer se o que mais me distraiu foi a imagem de Rodrigo, sorriso cativante e uma charmosa barba por fazer ou o fato de o anúncio informar que para participar da promoção era preciso enviar uma carta com embalagens dos produtos Bombril. E lá estava o endereço todo bonitinho com caixa postal, cep, tudo. Fiquei me perguntando se algumas dessas crianças que trocam bonecas e bolas de futebol por horas no MSN sabem o que é uma Caixa Postal….
Enquanto percorria os corredores do supermercado enchendo o carrinho com as compras providenciais da semana pensei quem faz a índustria de envelopes para cartas se manter. Não falo desses envelopes que usamos nas empresas, aqueles cor de terra ou os brancos grandes. Falo dos envelopes com tracinhos verdes e amarelos na cor da bandeira. Aqueles que chegavam às nossas casas e nos faziam suspirar com notícias que vinham de longe que apresentavam as palavras às vezes bem escritas outras vezes cheias de garranchos das pessoas que queríamos bem.
As barreiras diminuiram, os canais de comunicação aumentaram. Sou adepta do twitter, do orkut e de todas essas invenções maravilhosas que tiram um tempo danado do meu dia. No entanto, sinto falta da espera pelo carteiro, de me deliciar lendo, relendo e até cheirando o papel viajante. Sindo falta de ler nas entrelinhas, de tentar adivinhar o sentimento até mesmo pela intensidade que a caneta marcava o papel.
Há mais de dez anos era fácil medir o sucesso de uma promoçao pela tamanho da montanha que se fazia com as cartas. O Caminho do Faustão, mesmo criança, a gente sabia que era um sucesso. Era preciso que trocentas bailarinas viessem para ajudar mexer as cartas. Para que quem estivesse láááááá embaixo também tivesse chance de ser sorteado. E do alto da montanha o repórter se banhava com a chuva de cartas e se formava uma imagem encantadora na tv. Uma carta que podia fazer a vida mudar.
Nas promoções de hoje enviamos torpedos, nos inscrevemos em sites. Dai num ato anárquico a Bombril solicita que enviemos cartas paras participarmos da sua promoção. Ato anárquico e romântico, por que não dizer. Perfeito para a senhora dona de casa que pede ajuda do filho para mandar uma mensagem pelo celular, ou pelo pai ( que como o meu) não sabe ligar o computador. Num ato democrático e saudoso a Bombirl vem e apadrinha os analfabetos digitais e/ou os românticos. Resta saber se todos terão disposição para o ato conservador de escrever a carta: resposta da pergunta, remetente, destinário. Lacrar o envelope. Ir ao correio. Pode parecer muito trabalho, mas talvez quem sabe, o charme de Raj que irá pessoalmente entregar o prêmio ao ganhador (a) nos faça voltar a usar os envelopes enconstados na gaveta de casa. Arê Baba..

Ah, Raj, Brigada!
C.

Ciba, que texto gostoso de ler. Parabéns! Sou seu fã também, igual ao Raj ai em cima. Arê Baba
hahahaha. muito bom. eu vi a promoção, mas nem tinha me atentado pra isso. lembro da minha infância com as incontáveis idas aos correios para participar de programas como o roletrando, do silvio santos.
a vantagem dessa da bombril é que a concorrência deve ser bem menor.